Rente

by Jair Naves

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released May 3, 2019

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Jair Naves Los Angeles, California

Singer-songwriter living in Los Angeles/São Paulo.

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Track Name: Veemente
Qualquer busca por empatia
a essa altura, é ingenuidade
eu me defendo esperando o pior

Minha terra é uma bomba a ponto de explodir,
minha fé é uma bomba a ponto de explodir,
minha gente é uma bomba a ponto de explodir,
minha terra é uma bomba a ponto de explodir

Coexistência com ares de guerra
eleva o tom, ganha no grito
a gente é igual no que tem de pior

Minha terra é uma bomba a ponto de explodir,
minha fé é uma bomba a ponto de explodir,
minha gente é uma bomba a ponto de explodir,
minha terra é uma bomba a ponto de explodir

Que força é essa que te cega,
te emburrece e te enche de raiva
de quem ousa ter menos que você?

Minha terra é uma bomba a ponto de explodir,
minha fé é uma bomba a ponto de explodir,
minha gente é uma bomba a ponto de explodir,
minha terra é uma bomba a ponto de explodir

O conceito de paz é inalcançável
Nunca existiu, nunca vai existir
Pela necessidade de um vencedor,
pela espetacularização da dor,
pelo que é a catarse explosiva de um linchamento

O conceito de paz é inalcançável

Minha terra é uma bomba a ponto de explodir
Track Name: Deus não compactua
Nada é mais humano que a disputa por poder,
Nada é mais desumano que a disputa por poder

Não tem fim, não tem fim
Será que Deus vê a imagem de um filho em mim?
Não tem fim, não tem fim
Será que Deus vê a imagem de um inimigo em mim?

Era até fácil de se prever, qualquer um poderia antever
Uma hora estoura, uma hora estoura
Tema quem não tem nada a perder

Hora da estrutura se inverter,
A lei do mais fraco enfim se faz valer
Uma hora estoura, uma hora estoura
Forte é quem não tem nada a perder
Track Name: Alívio cômico / Palanque
Quão forte é o instinto que me faz sobreviver?
Eu ainda existo, não me deixa esquecer

Sua opinião
foi o alívio cômico
extremamente necessário a essa discussão

Virou comício, o que eu falei para você?
Parasitismo, o que eu falei para você?
Quão forte é o instinto que me faz sobreviver?
Eu ainda existo, não me deixa esquecer

(Ergue o muro que eu derrubo)

A condenação já na acusação

Nada que eu disser,
cenário irreversível,
o júri popular quer sangue

A condenação já na acusação

Boato desmentido, terrível mal entendido

Crime já prescrito

A condenação

Os caprichos da desilusão,
quer você queira, quer não,
te levam a uma só questão:
dinheiro é benção ou maldição,
perdição ou salvação?

A condenação já na acusação

Palanque para o horror,

o dia em que o mal triunfou

Saúdem o torturador

Palanque para o horror

Na ganância, a separação
Das mágoas, faça munição
Permanece a questão:
dinheiro é benção ou maldição,
perdição ou salvação?

(Troca o sangue do meu corpo)

(O sistema é predatório)
Track Name: Mácula
Nas costas da minha mão,
lembrete apagado, um borrão
conselho e também confissão:
“eu não posso mais errar”

Basta viver o suficiente
e todo mundo de algo se arrepende,
Você mesmo se repreende:
“eu não posso mais errar”

Repousa quieta no meu peito e deixa o choro vir
Repousa quieta no meu peito, nada mais vai te afligir

Eu peço à minha consciência
que insista na mesma advertência
pelo resto da minha existência:
“eu não posso mais errar”

Repousa quieta no meu peito e deixa o choro vir
Repousa quieta no meu peito e deixa o sono vir
Repousa quieta no meu peito, nada mais vai te afligir

Tanta afobação,
Tamanha inquietação
Track Name: Gira
Essa angústia em você
queima tão devagar,
queima sem se deixar notar

Imersa em um turbilhão de preocupações,
sofrendo por antecipação
Respira, acolhe a minha voz
Quatro da tarde e o sol já se pôs,
anoiteceu cedo demais
Me guia, eu só ouço a sua voz

Giro em torno de ti
eu cresço, eu mudo, eu moldo
Tudo em torno de ti

Não tem mais volta
Dentro de mim, eu sei:
não tem mais volta
Esse amor não tem mais volta

Me ajuda a ver o que existe de bom em mim,
eu tenho tentado ser a minha melhor versão
Me guia, eu só ouço a sua voz
A gente se acostuma a ser só,
A gente se convence a não confiar em ninguém
Respira, acolhe a minha voz

Giro em torno de ti
eu cresço, eu mudo, eu moldo
Tudo em torno de ti

Não tem mais volta
Dentro de mim, eu sei: não tem mais volta
Esse amor não tem mais volta

Sua ânsia de viver,
de um brilho singular,
precisa se fazer notar
Track Name: Lampejos de lucidez
Quem chega, logo sente
isso é um moedor de gente
a cicatriz não mente
nem o inferno é tão quente
quem puder, que aguente

Pode vir,
Quem te induz ao erro,
quem te parte em dois?

Seu santo, um justiceiro,
sua casa, um cativeiro,
eu vivo um arremedo
da vida que eu desejo

Pode vir,

Quem te induz ao erro,
quem te parte em dois
Quem te quebra no meio,
quem te parte em dois?

Nuvem cheia,
você quis
desabar,
mas desistiu

Nuvem negra, você quis

Revidar, mas desistiu

Nuvem cheia,
você quis
desabar,
mas desistiu

Pena que você desistiu

Esses lampejos de lucidez
te isolam cada vez mais
Esses lampejos de lucidez
Te custam caro

Esses lampejos de lucidez
te machucam cada vez mais
Esses lampejos de lucidez
Te custam caro
Track Name: Hino dos Estados Unidos como toque do seu celular
A cena é a de um carro em movimento:
Athos subitamente abre a porta e se atira
numa impensada demonstração
de que não existem limites
para a punição autoinfligida

Ainda não estamos quites

De fidelidade canina,
golpeado por uma decepção genuína,
em estado de constante apatia,
se vier reparação,
que seja em vida

Ainda não estamos quites

(Novamente interrompido
pelo hino dos Estados Unidos
como toque do seu celular)

Charlatanismo institucionalizado,
justificando o injustificável,
terror relativizado,
que se mudem os incomodados

Ainda não estamos quites

Pregando apenas aos já convertidos,
protesto seguro, de aplauso garantido
herói de um nicho,
de um recém-declarado grupo de risco

Ainda não estamos quites

Ainda não, ainda não, ainda não
Track Name: Rente
Aproveitando o ensejo,
eu despejo todo o peso que eu carrego comigo

Luz em mim que eu não reconheço,
eu tento e não te vejo,
me indica um caminho
Eu sou um labirinto no qual eu mesmo estou perdido
Tanta coisa que eu podia ter dito

Tiro que passou rente
Eu quero que você se enfrente

Você diz que ama o seu país,
mas que nunca se sentiu correspondido

Pelo contrário,
ignorado,
menosprezado, diminuído
renegado, perseguido,
violentado, esquecido,

Seu amor próprio enterrado vivo

Tiro que passou rente
Eu quero que você se enfrente

Talvez eu seja tão merecedor quanto o senhor

Síndrome do poder pequeno,
informação como envenenamento,
Nenhum orgulho, mas nenhum arrependimento
Contabilizando o prejuízo, finalmente eu respiro

O que mais pode ser tão bonito
quanto um império sendo lentamente destruído?

Hoje eu nasci de novo
Track Name: Escalas
Obrigado por vir me encontrar,
é bom ter com quem conversar
Bem que dizem que o começo
é o mais difícil de aguentar

Eu acabei de chegar
e eu vim para ficar,
Tudo é muito promissor e eu tento não me assustar

O desafio de me encaixar
Onde eu posso trabalhar?
Um mundo a que eu ainda não pertenço,
todo um estigma a derrotar

Será que eu fiz bem em vir para cá?
E se eu estiver velho para me reinventar?
Mas tem tanta coisa em jogo
que eu não posso nem pensar em voltar

Tanta saudade que até me dói falar,
me dá vontade de chorar
O lugar em que eu sei como existir,
o ar que eu sei como respirar

Recorra a mim se precisar
de forças para continuar
Esse desconforto é uma constante
com que a gente tem que aprender a lidar
Track Name: O.H.R.E.U.C.S.
A arte enquanto negócio, o negociante enquanto artista

Autoridade no assunto, talhado pela prática do seu ofício,
só que acuado pela suposta sensibilidade coletiva exarcebada dos novos tempos

Emitindo opiniões, mas omitindo suas verdadeiras opiniões
Correndo atrás do próprio rabo

O homem reprimido é um câncer social
Track Name: Tudo grita
Tudo vibra em discordância e negação
Tudo grita, histeria, contagiosa afetação

Ameaças estridentes, eu acordei
Cruzada pelo bem, limpa a sujeira que você fez

Te hipnotiza, te infantiliza, bloqueia a sua visão
Me vilaniza, me demoniza, uma nova inquisição

Bravatas estridentes, eu acordei
Cruzada pelo bem, limpa a sujeira que você fez

Espera o meu sinal, torce por mim
Que eu saia vivo
Reconheço que existe o mal
E por mais que isso doa em mim,
eu sigo limpo

Tudo vibra em desacordo e rejeição
Tudo grita, falsa valentia, manda indignação

Latidos estridentes, eu acordei
Cruzada pelo bem, limpa a sujeira que você fez

Espera o meu sinal, torce por mim
Que eu saia vivo
Reconheço que existe o mal
E por mais que isso doa em mim,
eu sigo limpo
Track Name: Sonhos se formam sem o meu consentimento
No seu olhar, nenhuma compaixão
De uma frieza morta a sua reação

Volumosa aglomeração
sangue seco e opaco no chão
Dura pouco qualquer comoção,
logo se desfaz distraída a multidão

No seu olhar, nenhuma compaixão
De uma frieza morta a sua reação

Tão indiferente eu fui,
meu pai, perdão
Tão conivente eu fui,
meu pai, perdão
Tão permissivo eu fui,
meu pai, perdão
Tão egoísta eu fui,
meu pai, perdão
Tão vaidoso eu fui,
meu pai, perdão
Tão orgulhoso eu fui,
meu pai, perdão
Tão ganancioso eu fui,
meu pai, perdão
Tão violento eu fui
meu pai, perdão

Sonhos se formam sem o meu consentimento

(Um ato falho
e eu me denuncio)

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